Quando ela se foi,

o mundo ficou cinza.

Depois ficou vermelho e então azul.

Por muito tempo ficou azul.

Muito de mim queria voltar ao vermelho,

acompanhá-la em sua partida, quem sabe.

Mas então o azul se intrometeu,

e tudo ficou roxo.

Tudo parecia doer profundamente,

qualquer coisa era como um hematoma,

e as parcas feridas já em cicatrização

retornaram a ficarem vermelhas.

Então ela se foi.

Mais uma vez o cinza reinou,

sobre todo o vermelho e roxo, o cinza reinou.

Chovia todos os dias, mesmo que eu gostasse,

não era agradável ouvir cada gota dizendo, gritando

o quão pequenos e impotentes somos nós.

Cada minúscula gota, marcava mais um passo em direção ao abismo.

Então o amarelo surgiu,

onde já haviam o azul e o vermelho desaparecido.

Lentamente os três voltaram-se a reconstituir cada pedaço de cinza.

Então, conte os seus pecados,

Diga-os em voz alta o suficiente para que só você escute.

Quando ela se foi,

tudo o que o mundo levou foram cores.

E quando ela se foi,

Tudo o que o mundo levou foram dores.

Eu não chorei quando ela se foi,

talvez esteja seco demais para isso,

ou talvez muito deslocado da realidade.

Mas certamente, quando começar a chover,

Tudo irá embora,

e neste dia saberei que jamais retornará.

Mas quando ela voltar,

eu saberei que jamais partirá novamente.

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